terça-feira, 17 de março de 2015

Daniela Araújo e Marco Antonio Silva

Silêncio / Carregador

























Perdão

























Sobre

























Gare de Saint-Lazare (1932)

Naquele instante tudo era luz,
Mesmo sem saber o que havia sob a superfície, eu arrisquei,
Não é todo dia que se pode dar um salto como esse,
Guardo a ousadia na gaveta, na memória e na cicatriz.



Casal em Paris (1968)

“Como ele está?”
“Não sai da cama. Não quer brincar. Tá estranho.”
“É verme. Será?”
“Não. Não tem cheiro de doença isso. Talvez tenha a ver com ela.”
“Ela tem vindo?”
“Não. Já faz algum tempo... Não consigo mais cheirá-la direito. Deve estar bem longe daqui.”
“Não entendo...”
“Estava pensando outro dia, vendo o jeito que ele anda em casa. Sabe aquilo que faz a gente balançar o rabo? Então, acho que tem a ver com a falta disso.”
“Ela fazia ele balançar o rabo?”
“Sim, fazia.”
“Minha dona fala sempre sobre isso. Ela usa um nomezinho... Amor.”
“O que ela diz?”
“Bom, ela fala como se fosse doença. Sempre reclama que dói.”
“Mas, não dói quando balançamos o rabo.”
“Acho que eles sentem diferente. Pensam demais.”
“Será que ele tá doente de amor?”
“Deve ser.”
“Por que ele não vai atrás dela? O cheiro tá longe, mas ainda dá para alcançá-la.”
“Não sei. Talvez sejam covardes por pensar. Ter amor e não ter amor, acho que tudo dói pra eles.”
 “São confusos isso sim! Mas, gosto deles sabe... Me mata vê-lo desse jeito.”
“Tem barulho aí.”
“Ele acordou. Vou tentar brincar. Talvez lambendo isso passe.”
“Boa sorte!”
“Tchau 
           au
              au ”



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.