o FOTOGRAFO
(BARROS, M.)
SILENCIO/CARREGADOR
PERFUME
EXISTÊNCIA
PERDÃO
SOBRE
NUVEM DE CALÇA E O POETA
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Cartier Bresson
FOTO: Gare Saint-Lazare (1932)
tempo de comida
I
entre o charco e o
gris da paisagem
pés burocráticos
apressados
marcham sobre o
chão de ferro.
ruínas, construções
porosas
fúria de casacos,
chapéus e sapatos
o poeta adverte:
“esse é tempo de
partidos,
tempo de homens
partidos.”
os escritórios,
rapidamente, se enchem
os servos cultuam
símbolos obscuros,
preparam-se para a
concepção de uma forma indecisa, a prática do negócio.
famintos como
corvos, vorazes por podres propriedades.
tempo de braços e
afetos mecânicos,
máquinas
terrivelmente complicadas
faço ecoar a voz
que emudeceu e repito
máquinas
terrivelmente complicadas.
o poeta insiste:
“é tempo de comida,
mais tarde será o
de amor”.
FOTO: Casal em Paris (1968)
II
o par ignorou o alerta, as trincheiras da rotina, a caminhada entre
mortos. à margem das vias desertas, no refúgio de um pequeno café, o beijo do
casal, atenciosamente assistido pelo companheiro de estimação, revelou a terra
dos homens completos. já não se importavam se seria exterminada a última nação,
ainda que não passássemos da próxima guerra, apenas por aquele instante, havia
sido válida a jornada.
e quando só restarem destroços, quando a ruína se tornar sedimento,
cientistas e arqueólogos encontrarão vestígios da estranha energia que pairou
naquele lugar.
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