terça-feira, 17 de março de 2015

Pedro Paixão e Taciana de Farias

o FOTOGRAFO
(BARROS, M.)
SILENCIO/CARREGADOR



PERFUME

EXISTÊNCIA

PERDÃO


SOBRE



NUVEM DE CALÇA E O POETA




_________________________________________________________________________________

Cartier Bresson

FOTO:
Gare Saint-Lazare (1932)

tempo de comida

I

entre o charco e o gris da paisagem

pés burocráticos

apressados

marcham sobre o chão de ferro.

ruínas, construções porosas

fúria de casacos, chapéus e sapatos


o poeta adverte:

“esse é tempo de partidos,

tempo de homens partidos.”


os escritórios, rapidamente, se enchem

os servos cultuam símbolos obscuros,

preparam-se para a concepção de uma forma indecisa, a prática do negócio.

famintos como corvos, vorazes por podres propriedades.


tempo de braços e afetos mecânicos,

máquinas terrivelmente complicadas

faço ecoar a voz que emudeceu e repito

máquinas terrivelmente complicadas.


o poeta insiste:

“é tempo de comida,

mais tarde será o de amor”.



FOTO: Casal em Paris (1968)

II

o par ignorou o alerta, as trincheiras da rotina, a caminhada entre mortos. à margem das vias desertas, no refúgio de um pequeno café, o beijo do casal, atenciosamente assistido pelo companheiro de estimação, revelou a terra dos homens completos. já não se importavam se seria exterminada a última nação, ainda que não passássemos da próxima guerra, apenas por aquele instante, havia sido válida a jornada.

e quando só restarem destroços, quando a ruína se tornar sedimento, cientistas e arqueólogos encontrarão vestígios da estranha energia que pairou naquele lugar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.