Existência
Mayakovsky e sua nuvem de calças
O Perdão
O perfume
O Silêncio
Sobre
Casal em Paris
Um casal
se encontra num café charmoso de Paris. O cheiro do café convida quem passa na
calçada. Ela de blusa branca com listras pretas – o que não é o mesmo que uma
blusa listrada. Chapéu preto, cinto, calça e bota. Faz menos calor que frio.
Ele de blusa mais ou menos preta, um cabelo de meia hora de pente, gel, um
sapato mais ou menos preto, meias brancas e uma cadela. Chantall, aquisição
recente. Ela chega primeiro e espera. Ele chega depois com Chantall. Se
desculpa pelo atraso. Diz que demorou no cabelo. Vaidoso. Ela diz que por isso
usa a touca. Seus lábios se tocam. Um beijo de alguns segundos. O que é o
tempo? Para aqueles que se amam, bons momentos se congelam na eternidade.
Gare Saint-Lazare
Era uma tarde de terça. 18:00. Fazia
um frio estranho. Nem de botar casaco e nem de botar blusa. Eu estava de blusa.
Saí para fumar na porta. Liberei meus funcionários. Terça é dia de
contabilidade. Tinha chovido. Rua alagada. Alguns objetos caídos. Gente
correndo para casa. Um homem me chamou a atenção. Nunca o tinha visto antes.
Ele não corria, nem caminhava. Algo entre as duas coisas. Ele trotava.
Estranho, muito estranho. Ele não estava molhado, nem seco. Que homem
paradoxal. Eu não sabia mesmo quem ele era, mas ao mesmo tempo tive a impressão
de conhecê-lo de algum lugar. Ele vinha trotando pelas poças, passava perto da
minha loja. Numa determinada poça, ele deu uma espécie de salto, mas me deixou
confuso. Parecia um passo, mas era um salto. Ou era um salto e parecia um
passo. Se eu congelasse aquele momento, talvez sanasse minha dúvida. Suijeito
estranho esse. Nunca me esquecerei dele. Nunca saberei se ele saltou a poça, ou
deu um passo longo. Nunca mais o vi depois disso.






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