quarta-feira, 18 de março de 2015

Bruna, Carlos e Claudio

Existência

Mayakovsky e sua nuvem de calças

O Perdão 

O perfume

O Silêncio

Sobre



Casal em Paris       
            Um casal se encontra num café charmoso de Paris. O cheiro do café convida quem passa na calçada. Ela de blusa branca com listras pretas – o que não é o mesmo que uma blusa listrada. Chapéu preto, cinto, calça e bota. Faz menos calor que frio. Ele de blusa mais ou menos preta, um cabelo de meia hora de pente, gel, um sapato mais ou menos preto, meias brancas e uma cadela. Chantall, aquisição recente. Ela chega primeiro e espera. Ele chega depois com Chantall. Se desculpa pelo atraso. Diz que demorou no cabelo. Vaidoso. Ela diz que por isso usa a touca. Seus lábios se tocam. Um beijo de alguns segundos. O que é o tempo? Para aqueles que se amam, bons momentos se congelam na eternidade.


Gare Saint-Lazare
            Era uma tarde de terça. 18:00. Fazia um frio estranho. Nem de botar casaco e nem de botar blusa. Eu estava de blusa. Saí para fumar na porta. Liberei meus funcionários. Terça é dia de contabilidade. Tinha chovido. Rua alagada. Alguns objetos caídos. Gente correndo para casa. Um homem me chamou a atenção. Nunca o tinha visto antes. Ele não corria, nem caminhava. Algo entre as duas coisas. Ele trotava. Estranho, muito estranho. Ele não estava molhado, nem seco. Que homem paradoxal. Eu não sabia mesmo quem ele era, mas ao mesmo tempo tive a impressão de conhecê-lo de algum lugar. Ele vinha trotando pelas poças, passava perto da minha loja. Numa determinada poça, ele deu uma espécie de salto, mas me deixou confuso. Parecia um passo, mas era um salto. Ou era um salto e parecia um passo. Se eu congelasse aquele momento, talvez sanasse minha dúvida. Suijeito estranho esse. Nunca me esquecerei dele. Nunca saberei se ele saltou a poça, ou deu um passo longo. Nunca mais o vi depois disso.

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